sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Biomas - Clima e vida na terra
Quando se estuda o indivíduo concreto, vivendo num certo tempo e num determinado espaço, não se pode perder de vista que ele é representante de uma espécie biológica, o que o identifica com outros indivíduos. A espécie pode ser entendida como uma unidade taxonômica (relativo à classificação) que reúne os indivíduos que tenham algumas características em comum, mas a principal delas é a capacidade de gerar descendentes férteis. O conceito de espécie, apesar de abstrato, é muito útil pois permite estabelecer um olhar abrangente sobre uma multidão de indivíduos - que possuem uma série de características diversas entre si, o que constitui a diversidade específica - e que se identificam no essencial. Isso permite uma série de generalizações aplicáveis a todos indivíduos encontrados e que pertençam à mesma espécie.
Tipos de espécies
As espécies, com relação a um determinado habitat estudado podem ser classificadas em:
Residentes: as que realizam todo ciclo de vida, inclusive a reprodução, nesse habitat. Estas podem ser:
Endêmicas: se têm distribuição restrita a um habitat bem definido. Ex: lobo-guará, que só é encontrado no cerrado brasileiro.
Cosmopolita: se estão distribuídas por todo o mundo, em muitos habitats diferentes. Ex: mosca doméstica.
Visitante: as que estão presentes durante o período de migração, realizando no local apenas parte do ciclo de vida. Ex: falcão peregrino no Brasil.
Exótica: as que foram trazidas de outro ambiente. Um exemplo é o pardal, natural da Europa e que foi introduzida na América pelo colonizador.
Do ponto de vista ecológico e de preservação há outra classificação de espécies que nos interessa. Quanto ao risco de extinção, elas podem ser:
Espécie rara: aquela que dispõem de número reduzido de exemplares, os quais podem estar concentrados numa área pequena (como certos beija-flores) ou espalhados em grandes áreas (como os gaviões Harpia).
Espécie ameaçada: aquela que está em processo de diminuição do tamanho populacional, atingindo um nível que põe em perigo sua sobrevivência. É o caso do mico-leão-dourado.
Habitat
Referindo-se ao local onde se encontram os indivíduos de uma espécie (floresta, lago, rio, ilha, tipo de árvore, camada de solo), os ecólogos costumam usar o termo habitat. Cada habitat é caracterizado pelas condições ambientais que lhe são próprias. Assim, um terreno em declive pode possuir dois habitats: um da parte alta do terreno, onde o solo é mais seco e outro - de solo úmido - na parte baixa.
A ação do homem sobre o meio ambiente pode criar novos habitats que favorecerão a sobrevivência de algumas espécies. É o caso do meio urbano (cidades) para o qual os pardais e os rato, além do próprio homem, estão bem adaptados.
Valência ecológica
As espécies podem ser classificadas tomando-se em conta a possibilidade de ocuparem habitats diferentes. Para isso, os ecólogos usam o critério da valência ecológica, que é a capacidade que a espécie possui de povoar ambientes diferentes, suportando grandes variações ambientais. A valência ecológica é uma característica da espécie que regula a amplitude de sua distribuição sobre a Terra. Em função desse critério podem ser divididas em:
Euriécias: aquelas com grande valência ecológica, podendo ocupar habitats variados. Corresponde, em geral, à espécies cosmopolitas, isto é, as que estão espalhadas pelo mundo, como a mosca doméstica.
Estenoécias: aquelas com pequena valência ecológica e com distribuição restrita a poucos habitats bem determinados. Geralmente, essas são chamadas de espécies endêmicas. Um exemplo é o lobo-guará, que somente é encontrado no cerrado brasileiro.
Fatores ecológicos
Ao se estudar a distribuição das espécies pelos diversos habitats da Terra, os ecólogos têm-se perguntado por que essa espécie existe nesses locais e não em outros; bem como, o que faz com que uma espécie tenha uma distribuição mais ampla do que outras.
Procurando responder essas questões, eles perceberam que não só a distribuição da espécie pelos diversos habitats, mas como a própria sobrevivência do indivíduo, estão determinadas pela existência de certos elementos do meio ambiente que podem agir diretamente sobre o funcionamento do organismo, e sobre o seu ciclo de vida. Esses elementos receberam o nome de fatores ecológicos.
Didaticamente, os fatores ecológicos são divididos em:
Abióticos: que compreendem os elementos não-vivos do meio, como os físicos, químicos e edáficos (relativos ao solo).
Bióticos: que envolvem a ação de outros seres vivos, através das relações ecológicas.
É preciso ter-se em conta que essa classificação é forçada, ainda que clara e prática pois os fatores sobrepõem-se na natureza. Por exemplo, na Amazônia o clima - que envolve fatores físicos (p. ex., temperatura) e químicos (p. ex., água) - sendo um fator abiótico importante na sobrevivência de muitas espécies, é influenciado pela vegetação (fator biótico).
Leis da Tolerância e do Mínimo
O estudo do efeito dos fatores ecológicos sobre os seres vivos levou os ecólogos a enunciarem a Lei da Tolerância, estabelecendo que "cada espécie apresenta, para cada fator ecológico, um valor máximo e mínimo entre os quais consegue sobreviver". Assim, por exemplo, a carpa tem, para a temperatura, um mínimo tolerado de 4oC e um máximo de 24oC. Outros peixes de aquário e tanque de água doce tem limites mais restritivos, como o acará-bandeira que têm um mínimo de 28oC e um máximo de 30oC.
A abundância de uma espécie varia em função do nível de intensidade do fator ecológico considerado. É uma representação gráfica que permite visualizar a Lei da Tolerância.
O fisiologista e químico Liebig, descobriu outra lei que rege a ação dos fatores ecológicos sobre os seres vivos. É a chamada Lei do Mínimo, que em Ecologia possui o seguinte enunciado: "A distribuição de uma espécie é controlada pelo fator ecológico para o qual o organismo possui menos controle e os menores limites de tolerância". Esse fator ecológico é denominado fator limitante, pois limita a ocupação de outros habitats pela espécie e é diferente para cada espécie. Pode ocorrer que uma espécie seja afetada por vários fatores limitantes, sendo isso comum entre espécies estenoécias.
É comum, para muitas espécies, que o fator limitante venha a ser o mais crucial no período da reprodução, quando os organismos tem seus limites de tolerância mais estreitos.
Constitui-se, também, num princípio geral, o de que quando um organismo está submetido ao stress ("pressão") num determinado fator, os seus limites de tolerância para outros fatores diminuem.
Adaptação e Evolução
É um princípio universal o de que a espécie tem que ter ajustadas as suas características corporais e comportamentais (que o geneticista chama de fenótipo) aos fatores ecológicos do habitat onde vive, principalmente aos fatores limitantes. Esse ajustamento é chamado adaptação. Os ecólogos evolutivos têm especial interesse por conhecer a ação dos fatores ecológicos e os mecanismos de adaptação, para com isso entenderem um pouco mais sobre o processo da evolução. Pois a evolução nada mais é do que a constante adaptação da espécie ao ambiente onde vive. Essa adaptação contínua acumula modificações na estrutura genética até produzir uma espécie totalmente nova.
Estratégias adaptativas
Os geneticistas e ecólogos evolutivos notaram, também, que em muitas espécies é comum o fenômeno do polimorfismo, isto é, a existência de indivíduos da mesma espécie diferentes entre si em algumas características (tamanho, cor, preferência alimentar, forma do corpo). Logo surgiu a pergunta: "por que não são, sempre, todos iguais?"; "qual é a vantagem adaptativa em haver esse polimorfismo?".
A resposta veio por meio do conceito de estratégias adaptativas, que significa o tipo de estrutura fenotípica (seja com um só fenótipo na espécie ou com vários diferentes) que existe na espécie em função do tipo de ambiente e da capacidade de tolerância da espécie. A grosso modo, há dois tipo básicos de estratégias adaptativas:
Mista: quando na espécies existem vários fenótipos, cada um mais adaptado a um tipo de habitat ou circunstância. Os fenótipos, ou mesmo raças, diferentes e que ocupam habitats específicos e distintos são chamados ecótipos. Ocorre em ambientes muito variáveis tanto no espaço, como no tempo. São os chamados ambientes de granulação fina. Essa situação encontra-se entre espécies estenoécias, com estreitos limites de tolerância.
Pura: quando na espécie existe apenas um fenótipo, que é o melhor adaptado para aquele habitat. Se a espécie que adota essa estratégia é estenoécia, certamente ela viverá num ambiente estável, denominado ambiente de granulação grossa. Se, no entanto, no decorrer da sua história evolutiva tiver se tornado euriécia, com ampla faixa de tolerância para os fatores ecológicos e com poucos fatores limitantes, ela poderá viver num ambiente de granulação fina.
O conceito de granulação grossa e fina é muito relativo, dependendo do tempo de vida, tamanho e deslocamento da espécie. Assim, por exemplo, um grande pomar, com vários tipos de árvores frutíferas misturadas, pode ser um ambiente de granulação fina para uma ave frugívora (que come frutas), pela grande variedade de fontes alimentares que fornece. Mas, para um pequeno inseto que passa toda a sua vida num único pé de laranja - com uma única fonte alimentar -, o pomar é um ambiente de granulação grossa.
Davi Pinheiro - EQUIPE 2

O relatório da ONU avisa: "A água tem de ser encarada como um dos maiores desafios que o mundo enfrenta. É tão importante como as alterações atmosféricas, a desflorestação, a defesa da biodiversidade e a desertificação, tudo questões relacionadas com a gestão da água. Uma grande parte das tendências negativas levarão anos a inflectir, pelo que se torna imperativo que as acções destinadas a iniciar essa inflexão comecem imediatamente." Resta saber se os grandes do mundo estarão à altura da grandeza do desafio.
Os ecossistemas que a água doce sustenta são dos mais ameaçados e dos mais importantes em termos de biodiversidade. Por exemplo, garantem a sobrevivência de 12 por cento das espécies animais existentes. Mas mais de 20 por cento das dez mil espécies de peixes de água doce extinguiram-se ou estão em risco de extinção ao longo das últimas décadas.

Os lagos podem ser originados de diferentes maneiras: pelos movimentos da terra (lagos tectônicos), por formações vulcânicas (lagos vulcânicos), pelo deslocamento das geleiras (lagos glaciais) ou quando a água fica em uma zona de depressão e não vai diretamente para o mar. Quando um lago nasce o chamamos de "lago jovem". Com o passar do tempo, inicia-se uma etapa de envelhecimento, que se acentua na medida em que nele se depositam sedimentos. Tal processo culmina no desaparecimento do lago e o surgimento de um pântano, que finalmente se converte em uma zona florestal.
- São importantes formadores do solo;
- Armazenam grandes quantidades de água;
- São um recurso natural produtivo;
- São uma zona de mitigação nas áreas de inundações;
- Representam um habitat com uma grande variedade de espécies de animais e plantas;
- Fornecem água doce a plantas, animais e aos seres humanos;
- Retêm nutrientes;
- Regulam os microclimas próximos a eles.
RIOS 
Na primeira visita aos rios da floresta tropical, os visitantes ficam frequentimente maravilhados pelo tamanho e abundância. Ainda mais perplexo é a capacidade de rios tropicais se juntarem á outros grandes rios, formando gigante ilhas que podem ser facilmente confundidos com o continente. Por vezes é quase impossível de se distinguir a principal confluência do rio.
Fotos aéreas dos rios tropicais revelam outro aspecto curioso: o curso sinuoso. Um rio gira e dá voltas e, às vezes dá uma volta de quase 180 graus voltando a si mesmo. A falta de declividade e solos de argila de muitas regiões tropicais permitem aos rios ter praticamente rédeas da sua direção.

O volume de água que flui nas florestas tropicais, junto dos solos e variados níveis de água, pode criar lindas cachoeiras mais de 100 metros de altitude, mesmo níveis regulares de águas. Estes bancos de argila constituem uma parte importante da ecologia local, em partes da Amazônia. Centenas de araras se reunem sobre esses bancos para ingerir minerais que se ligam e detoxicam os produtos químicos dos frutos que consomem.

Com seu enorme volume, grandes rios como o Amazonas transportam enormes quantidades de madeira e detritos. É comum ver gigante troncos e árvores passando, embora as vezes naturais jangadas, com árvores e animais, e algumas vezes tendas, são vistos flutuando. Freqüentemente a navegação do rio é complicada por enormes madeiras que se formam em canais fluviais impedindo o fluxo do rio. O Rio Madeira, um importante afluente do Amazonas, recebe o seu nome devido à grande quantidade de madeira que flutuam no rio. Estes obstáculos de madeiras, juntamente com madeiras afundadas, fornecem um habitat crítico para os peixes e outros animais aquáticos.
Córregos e Riachos

Córregos e riachos tropicais são ainda mais variáveis do que rios tropicais e pode mudar de um leito quase seco à uma correnteza com média de 30 pés de profundidade em uma questão de horas durante uma forte tempestade chuvosa. Pequenos córregos e riachos são muitas vezes invisíveis, por via aérea, porque o fluxo corre embaixo do dossel da floresta. Apesar de insignificantes, estas vias navegáveis hospedam uma espantosa variedade de vida animais. Riachos são comuns na floresta e fornecem um importante nicho para determinados peixes, anfíbios, e espécies de insetos além de proporcionar uma importante fonte de água para outros habitantes terrestres das florestas.
Alguns destes riachos, especialmente nas várzeas da Amazônia, podem ser surpreendentemente profundos. O barro substrato ajuda esses riachos manterem sua forma parecem desafiar as leis da física.
Referências:
http://www.alem-mar.org/cgi-bin/quickregister/scripts/redirect.cgi?redirect=EEFlpAZkkkSokVkvdQ
http://www.micromacro.tv/saber_mais_agua-07.htm
Fatores que afetam o clima
Além da latitude, existem outros fatores que contribuem para determinar as condições climáticas de uma região. Entre eles destacam-se a altitude, a maritimidade, correntes marítimas e, principalmente, a dinâmica das massas de ar.
A ALTITUDE
A temperatura diminui em média 1ºC a cada 180 metros de altitude. Isso ocorre porque parte do calor do ar é transmitido pelo solo aquecido pela radiação solar. Do total da radiação que chega à terra, 34% são refletidos por elementos presentes na superfície e na atmosfera (partículas de poeiras, por exemplo); 19% são retidos pela atmosfera, e a maior parte 47%, é absorvida pelas águas e terra da superfície. Daí o calor é transmitido para o ar. Como podemos ver, a superfície terrestre é a principal fonte de calor da atmosfera. Além disso, a pressão atmosférica, e portanto, a densidade do ar, diminui com a altitude. Tornando-se rarefeito, o ar tem menos massa, o que significa menor capacidade de absorver e conservar o calor. É também por isso que, nas altas camadas da atmosfera, o ar é extremamente frio. Como as montanhas mais elevadas do continente americano situam-se a a oeste, é nessa região que ocorre a maior influência da altitude sobre o clima, e mesmo as montanhas situadas na zona tropical, as temperaturas são baixas, sendo que a altitude anula a influência da latitude. Por isso, em plena zona tropical, encontramos áreas de climas temperado e frio, como os cumes de montanhas dos Andes, que permanecem cobertas de gelo o ano todo. Ex: o planalto boliviano apresenta características próprias dos climas de montanha devido a altitude.
A MARITIMIDADE
A maritimidade - proximidade em relação ao mar - ameniza as tendências da temperatura. Se o ar for quente, sua temperatura ficará mais baixa, e se for frio, a temperatura será mais elevada. Ao contrário da maritimidade, a continentalidade - distância em relação ao mar - acentua o calor e o frio, conforme a condição do ar. Isso ocorre porque a água demora mais para aquecer do que as superfícies continentais. Mas, uma vez aquecida, a água perde calor mais lentamente do que a terra. Esse fator também influi nas amplitudes térmicas de uma região, isto é, nas diferenças entre a maior e a menos temperatura. Nas áreas próximas ao mar, a variação de temperatura é menor do que no interior dos continentes. No nordeste da América do norte, por exemplo, a maritimidade contribui para que o clima temperado tenha verões mais brandos e invernos mais curtos que nas planícies centrais. Na região do Paraguai, por sua vez, a continentalidade torna os verões extremamente quentes.
AS CORRENTES MARITIMAS
As correntes marítimas são verdadeiros "rios" de água salgada dentro dos oceanos. Conforme a latitude em que se originam, elas podem ser de águas quentes ou de águas frias. Veja no mapa anexo as correntes que atingem nosso continente. As correntes marítimas podem influir no clima. A corrente do labrador, por exemplo, contribui para que as temperaturas na costa nordeste da América do norte sejam mais baixas ainda. Este chega a provocar o congelamento das águas do porto de Nova York. A corrente do Golfo, por sua vez, aquece o clima do Golfo do México e contribui para a pluviosidade da região, pois suas águas quentes favorecem a evaporação. Nas regiões áridas da américa, por sua vez, temos a corrente do Peru ou de Humboldt, que passa pela costa do peru e norte do Chile. Ao passar sobre as águas frias desta corrente, as massas quentes vindas do oeste perdem calor, condensam-se e se precipitam no próprio mar, e quando chegam ao continente, os ventos já estão sem umidade suficiente para provocar chuvas. O mesmo ocorre na costa oeste da América do Norte, devido a presença da corrente da Califórnia. Tais massas podem carregar ainda uma pequena umidade. Ao sofrer resfriamento sobre o continente, essa umidade transforma-se em neblina, e apesar da ocorrência desta, quase não chove na costa do Peru e Norte do Chile.
AS MASSAS DE AR
Já vimos que o calor da atmosfera depende da distância em que a região se encontra do equador. Assim, quanto maior for a latitude, mais baixa será a temperatura do ar. A atmosfera é formada por massas de ar de diferentes tipos, cada qual com suas características. Assim, por exemplo, as massas polares são muito frias, enquanto as massas provenientes da zona do Equador são muito quentes. A movimentação das massas de ar é o principal fator a ser considerado no entendimento dos climas da Terra. Para onde as massas se movimentam, levam consigo suas características. O ar está sempre se movimentando por causa das diferenças de pressão atmosférica. O deslocamento do ar é chamado de vento e ocorre sempre de uma zona de alta pressão (frio) para uma zona de baixa pressão (calor). Portanto, as zonas de alta pressão atmosférica são dispersoras de ventos, e também são chamadas de anticiclones. As zonas de baixa pressão atmosférica são receptoras de ventos, e conhecidas como ciclones ou zonas ciclonais. A pressão atmosférica depende da temperatura. Nas zonas polares, devido às baixas temperaturas, o ar está comprimido. Em conseqüência disso, ele exerce maior pressão, ou seja, pesa mais. Por isso, as massas polares tendem a se expandir para as latitudes médias. Na zona do equador, as latas temperaturas tornam o ar rarefeito, o que provoca baixas pressões atmosféricas, por isso a zona equatorial é receptora de ventos. Nas proximidades dos trópicos, em latitudes ao redor de 30º, tanto no hemisfério norte quanto no sul, a atmosfera apresenta altas pressões, pois o ar dessas zonas é menos quente que o ar equatorial. Portanto, as zonas próximas aos trópicos também são dispersoras de ventos, constituindo as chamadas zonas de altas pressões subtropicais. Partindo das altas pressões polares e das altas pressões subtropicais, o ar atmosférico se movimenta sobre a superfície terrestre. A direção geral dos ventos, por sua vez, sofre influência do movimento de rotação da Terra, que é de oeste para leste. Ao se deslocar sobre a superfície do nosso planeta, as massas de ar determinam as condições de clima dos diferentes lugares da Terra. Por exemplo, os lugares permanentemente dominados por massas de origem tropical apresentam climas quentes, e os lugares que são sempre varridos por ventos de origem polar possuem climas frios.
A influência das estações do ano
Devido ao movimento de translação da terra e a inclinação do eixo de rotação do nosso planeta, a intensidade de radiação solar varia no decorrer do ano. Em dezembro, é o hemisfério sul que recebe mais intensamente os raios do sol, enquanto o hemisfério norte passa elo período de menor insolação de todo o ano. Em junho, por sua vez, é o hemisfério norte que é atingido com mais intensidade pela radiação solar, enquanto o hemisfério sul passa pelo período em que recebe a menor quantidade de luz do sol. Por isso, o aquecimento do ar nos dois hemisférios varia conforme a época do ano, ocasionando mudanças na pressão atmosférica. Em conseqüência das alterações da pressão atmosférica e temperatura, as massas de ar se deslocam no decorrer do ano. Com seu deslocamento, elas determinam as características gerais dos climas.
Referências:
http://br.geocities.com/geog002/pagina18.htm
visitado em 28/11/08 às 14:30
Já Não Existem Mares Intocados pelo Homem, diz Estudo

O atlas do impacto humano nos oceanos foi lançado durante a reunião anual da Associação para o Avanço da Ciência dos EUA (AAAS), realizado em Boston, e publicado na edição desta semana da revista Science.
"Nossos resultados mostram que, quando esses e outros impactos individuais são somados, o quadro geral fica muito pior do que, imagino, a maioria das pessoas espera. Certamente foi uma surpresa para mim", disse o principal autor do trabalho, Ben Halpern, do Centro Nacional de Análise e Síntese Ecológica da Universidade ad Califórnia, Santa Bárbara.
As áreas mais afetadas incluem o Mar do Norte, os Mares do Sul e do Leste da China, a costa leste da América do Norte, o Mediterrâneo, o Mar Vermelho, o Golfo Pérsico, o Mar de Bering e partes do Pacífico. As áreas menos afetadas são as imediações dos pólos.
No entanto, os pesquisadores disseram que é provável que a atividade humana passe a atingir os pólos cada vez mais, à medida que a mudança climática aquece essas áreas.
O dano provocado inclui redução na população de peixes e outros animais marinhos, problemas nos recifes de coral, nos leitos de algas marinhas, mangues, recifes rochosos, plataformas e montanhas submarinas.
"Há duas coisas que não prevíamos", disse Halpern. "Cada pedacinho dos oceanos foi afetado por pelo menos uma atividade humana. Pensávamos que haveria lugares onde a humanidade simplesmente ainda não tinha chegado". Além disso, "mais de 40% dos mares foram afetados por diversas atividades diferentes. O oceano não está passando bem".
Mas, disse ele, há espaço para esperança. "Existem algumas áreas em condição muito boa. São pequenas e espalhadas, mas sofreram um impacto bem pequeno", afirmou. "Isso sugere que, com esforço de todos, podemos tentar proteger esses pedaços e usá-los como um padrão para o que gostaríamos que o restante dos oceanos fosse".
A equipe de pesquisas de 19 membros mapeou os impactos de cada atividade nos oceanos e, por meio de sobreposições dos mapas, chegou às áreas mais afetadas.
Os impactos estudados incluem os efeitos de plataformas de petróleo, navegação comercial, invasão de espécies, impactos da mudança climática, vários tipos de pesca e de poluição.
Referências:
Fonte: Estadão Online
18 Fevereiro, 2008 - 06:28h Délcio Rocha
site: http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=7612
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Pesca de Arrasto Ameaça Corais no Brasil

Ao irem mais longe, atrás de novas espécies, os barcos de pesca não colocam em risco apenas as populações-alvo. Os bancos de coral, apesar de indesejados, também são destruídos e trazidos à tona, principalmente na modalidade arrasto - redes são lançadas até o assoalho oceânico e arrastadas por quilômetros até serem puxadas de volta.
Ainda não há uma estimativa oficial sobre o dano. Mas relatos dão conta de que em um único arrasto, em uma área ainda não explorada, 4.000 quilos de coral são capturados em apenas um lançamento de rede.
Até 2004, o grande alvo do sistema de arrasto era o peixe-sapo (Lophius gastrothysus), que vive em águas profundas. "Agora, muitas embarcações, inclusive de bandeira estrangeira, estão indo atrás também do camarão de profundidade. Como a pesca de arrasto é pouco seletiva, o impacto acaba sendo bastante grande", disse à Folha Marcelo Kitahara, pesquisador do Museu Oceanográfico do Vale do Itajaí.
Hoje, segundo o cientista, algumas frotas pesqueiras já lançam equipamentos altamente sofisticados a até 1.500 metros de profundidade. Os corais são zonas de grande biodiversidade. Por isso, a pesca do camarão, por exemplo, acaba sendo feita nessas áreas.
Um dos motivos dessa busca mais profunda pelo pescado pode ser explicada pelos dados que acabam de ser compilados pelo programa Revizee (Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva). Apesar de existirem algumas saídas, a pesca no Brasil está sendo feita de forma insustentável afirma o estudo. Um dos casos mais simbólicos, é o do peixe cherne-poveiro. Entre 1989 e 2001 a produção dessa espécie era de 2.000 toneladas anuais. Nos últimos anos, ela caiu para apenas 460 toneladas. Além disso, em termos gerais, a produção marinha de pescado do Brasil hoje é de 500 mil toneladas, contra 600 mil toneladas na primeira metade da década passada.
"A pesca de arrasto em águas profundas da costa brasileira (mais de 200 metros) vem crescendo desde o final da década de 1990. A destruição causada pelas pesadas redes foi comprovada por pesquisadores que estiveram a bordo dos pesqueiros. Eles relatam a captura de grandes quantidades de coral e de outros organismos de águas profundas também", afirmou Alberto Lindner, pesquisador do Cebimar (Centro de Biologia Marinha) da USP.
O especialista brasileiro em formações coralinas de águas profundas participou da equipe que descobriu imensos "jardins de coral" no Alasca, em 2002. A descoberta fez o presidente americano George W. Bush criar uma das maiores áreas de proteção marinha de todo o mundo. "Os dados sobre a destruição, no Brasil, e no mundo, são alarmantes. Esses organismos são ainda pouco conhecidos e precisam ser mais bem estudados", diz.
Se as conseqüências indiretas dos arrastões do fundo do mar são uma realidade, José Ángel Perez, oceanógrafo e professor da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), em Santa Catarina, lembra que essa modalidade usada pela indústria pesqueira pode colocar em risco o próprio alvo principal, ou seja, os peixes. "O problema mais grave, na minha opinião, são as populações pescadas. Em geral, os níveis de abundância delas são muito baixos."
Para o estudioso, é o momento de ser feita uma grande discussão para que toda a atividade pesqueira realizada em águas profundas possa ser organizada. "O próprio programa Revizee mostrou que os estoques do litoral brasileiro não estão em boas condições. As medidas do governo, por enquanto, também não estão surtindo muito efeito", disse.
Na visão otimista de Perez, se medidas efetivas forem tomadas hoje, em dez anos a situação pode melhorar. "As populações não estão perdidas. Elas estão sendo muito exploradas. É possível reverter esse quadro". Entre as ações cabíveis, nem Perez nem os demais pesquisadores excluem a necessidade de que atitudes extremas sejam tomadas.
"Em alguns casos, exclusões geográficas deverão ser estudadas", explica. Em outras palavras, se o Brasil e o mundo quiserem preservar a biodiversidade das altas profundidades, moratórias à pesca terão que ser decretadas em breve.
"A preservação desses habitats em forma de áreas de exclusão de pesca é essencial para a sustentabilidade", afirma Kitahara. "Não tenho dúvidas que isso vai precisar ser feito."
Por: Eduardo Geraque
Fonte:Folha de S. Paulo
Ambiente Marinho
O mar sempre exerceu extraordinário fascínio sobre os homens, do poeta ao cientista, suscitando a curiosidade. O estudo de seus ambientes e da vida que o preenche é uma das maiores aventuras da Ciência e da Tecnologia moderna, além de tornar-se prioritária em vista da crescente degradação ambiental, que ameaça a vida no Planeta. No mar está a futura “fronteira agrícola” que poderá alimentar a bilhões de seres humanos. E é nele que encontraremos as respostas para o mistério da origem e evolução da vida.
A principal chave para a compreensão da vida marinha e de sua ecologia é o conhecimento do ambiente marinho, no que tem de característico e diferente do ambiente terrestre, quanto aos seus fatores físicos e químicos, capazes de determinar e limitar a distribuição dos animais marinhos, de acordo com suas habilidades e capacidade de adaptação.
A comparação entre esses dois ambientes, revela um princípio fundamental: o mar é um ambiente muito mais estável e constante que o terrestre. No interior dos oceanos a mudança de temperatura não é tão rápida e dramática, nem se notam tão claramente as diferenças entre as estações do ano.
O final da plataforma continental, dando lugar ao íngreme talude, marca o limite entre a província nerítica e oceânica.
A Província Nerítica é a região mais próxima da costa, a zona com maior quantidade e variedade de vida, habitada pela maioria dos peixes que conhecemos, aqueles mais importantes para a pesca comercial e esportiva. Essa faixa do oceano está situada sobre a plataforma continental, entre a linha de maré alta e a profundidade média de 200 metros. Costuma ser subdividida em duas regiões: a Zona Litorânea, entre as linhas de maré alta e baixa, e a Zona Costeira, da linha de maré baixa para fora.
A combinação de diversos fatores, entre os quais a pressão e a luminosidade, criam nos mares quatro distintos biomas: litoral, nerítico, batial e abissal. Neles há três tipos de comunidades. O plâncton é composto por pequenos organismos que vivem carregados pelas correntes, ocupando o bioma nerítico. O bentos abrange os seres que vivem fixo ao fundo oceânico, desde o sistema litoral até as fossas abissais. Em todos os quatro biomas podem ser encontrados representantes do nécton, animais capazes de nadar.
Zona Costeira
A Zona Costeira brasileira é extensa e variada. O Brasil possui uma linha contínua de costa com mais de 8 mil quilômetros de extensão, uma das maiores do mundo. Ao longo dessa faixa litorânea é possível identificar uma grande diversidade de paisagens como dunas, ilhas, recifes, costões rochosos, baías, estuários, brejos e falésias. Dependendo da região, o aspecto é totalmente diferente do encontrado a poucos quilômetros de distância. Mesmo os ecossistemas que se repetem ao longo do litoral - como praias, restingas, lagunas e manguezais - apresentam diferentes espécies animais e vegetais. Isso se deve, basicamente, às diferenças climáticas e geológicas.
O litoral amazônico, que vai da foz do Rio Oiapoque ao Rio Parnaíba, é lamacento e tem em alguns trechos mais de 100 km de largura. Apresenta grande extensão de manguezais, assim como matas de várzeas de marés. Jacarés, guarás e muitas espécies de aves e crustáceos são alguns dos animais que vivem nesse trecho.
O litoral nordestino começa na foz do Rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É marcado por recifes calcáreos e arenitos, além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixa, movem-se com a ação do vento. Há ainda nessa área manguezais, restingas e matas. Nas águas do litoral nordestino vivem tartarugas e o peixe-boi marinho, ambos ameaçados de extinção.
O litoral sudeste segue do Recôncavo Baiano até São Paulo: a área mais densamente povoada e industrializada do país. Suas áreas características são as falésias, recifes, arenitos e praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom escura). É dominado pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas. O ecossistema mais importante dessa área é o das matas de restingas. Nessa parte do litoral é possível encontrar espécies como a preguiça-de-coleira e o mico-sauá, dois animais ameaçados de extinção.
O litoral sul começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Cheio de banhados e manguezais, o ecossistema da região é riquíssimo em aves, mas há também outras espécies: ratão-do-banhado, lontras, capivaras etc.
Há muito ainda para se conhecer sobre a dinâmica ecológica do litoral brasileiro. Complexos sistemas costeiros distribuem-se ao longo, fornecendo áreas para a criação, crescimento e reprodução de inúmeras espécies de flora e fauna.
Por que preservar o litoral
Há muito ainda para se conhecer sobre a dinâmica ecológica do litoral brasileiro. Complexos sistemas costeiros distribuem-se ao longo do litoral, fornecendo áreas para a criação, crescimento e reprodução de inúmeras espécies de flora e fauna. Somente na costa do Rio Grande do Sul - conhecida como um centro de aves migratórias - foram registradas, aproximadamente, 570 espécies. Muitos desses pássaros utilizam a costa brasileira para alimentação, abrigo ou como rota migratória entre a América do Norte e as partes mais ao sul do Continente. A faixa litorânea brasileira também tem sido considerada essencial para a conservação de espécies ameaçadas em escala global, como as tartarugas marinhas, as baleias e o peixe-boi-marinho. É importante ressaltar que a destruição dos ecossistemas litorâneos é uma ameaça para o próprio homem, uma vez que põe em risco a produção pesqueira - uma rica fonte de alimento.
Ecossistema em perigo
A integridade ecológica da costa brasileira é pressionada pelo crescimento dos grandes centros urbanos, pela especulação imobiliária sem planejamento, pela poluição e pelo enorme fluxo de turistas. A ocupação predatória vem ocasionando a devastação das vegetações nativas, o que leva, entre outras coisas, à movimentação de dunas e até ao desabamento de morros. O aterro dos manguezais, por exemplo, coloca em perigo espécies animais e vegetais, além de destruir um importante "filtro" das impurezas lançadas na água. As raízes parcialmente submersas das árvores do mangue espalham-se sob a água para reter sedimentos e evitar que eles escoem para o mar. Alguns mangues estão estrategicamente situados entre a terra e o mar, formando um estuário para a reprodução de peixes. Já a expulsão das populações caiçaras (pescador ou o caipira do litoral) está acabando com uma das culturas mais tradicionais e ricas do Brasil. Outra ação danosa é o lançamento de esgoto no mar, sem qualquer tratamento. Operações de terminais marítimos têm provocado o derramamento de petróleo, entre outros problemas graves.
Referências:
sites:
http://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/biomas/bioma_costeiro/index.cfm
http://geocities.yahoo.com.br/zuritageo
